13 de Maio escancara dívida histórica do Brasil com a população negra
Notícia publicada dia 13/05/2026 13:43
Mais de 138 anos após a abolição oficial da escravidão, população negra ainda enfrenta desigualdade, violência, precarização do trabalho e falta de oportunidades

O 13 de maio, data da assinatura da Lei Áurea, não é visto pelo movimento negro como motivo de celebração. Embora a escravidão tenha sido oficialmente abolida em 1888, o Estado brasileiro não garantiu condições mínimas de dignidade para a população negra libertada após mais de três séculos de exploração.
Sem acesso à terra, moradia, educação ou emprego, milhões de negros e negras foram abandonados à própria sorte. Mais de um século depois, os reflexos dessa exclusão seguem presentes no cotidiano da classe trabalhadora, principalmente nas periferias e nos postos mais precarizados do mercado de trabalho.
No Rio de Janeiro, a desigualdade racial continua sendo realidade para grande parte da população negra, que enfrenta baixos salários, jornadas exaustivas, violência e dificuldades de acesso a direitos básicos.
Para movimentos sociais e entidades sindicais, o 13 de maio representa um dia de reflexão sobre uma abolição que nunca se completou na prática e sobre a necessidade de reparação histórica.
Nesse cenário, a PEC 27/2024 ganhou destaque ao propor a criação do Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial. Relatada pelo deputado federal Orlando Silva, a proposta prevê investimentos em políticas públicas voltadas à educação, saúde, inclusão social e geração de oportunidades para a população negra.
O secretário de Combate ao Racismo do SINTECT-RJ, Ricardo Poeta, afirma que discutir reparação histórica também significa enfrentar as desigualdades presentes no mundo do trabalho.
“O povo negro ajudou a construir este país, mas continua enfrentando desigualdade e exclusão. Combater o racismo também é lutar por emprego digno, melhores salários, qualidade de vida e pelo fim da escala 6×1, que atinge principalmente os trabalhadores mais pobres e a população negra”, destaca.
Segundo Ricardo Poeta, a luta antirracista precisa estar presente no cotidiano do movimento sindical e na defesa dos trabalhadores dos Correios.
“Não existe justiça social sem combater o racismo estrutural. A luta da classe trabalhadora também passa pela construção de igualdade racial e pela garantia de direitos para a população negra”, completa.
Para o SINTECT-RJ, o 13 de maio deve fortalecer o debate sobre igualdade racial, reparação histórica e combate às desigualdades que ainda marcam a sociedade brasileira.