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Enquanto o Chile enterra constituição de Pinochet, Brasil adota seus princípios neoliberais

Notícia publicada dia 29/10/2020 12:12

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●Os chilenos disseram não à Constituição imposta pela ditadura de Pinochet, ainda em vigor e base para a situação de calamidade em que caiu o Chile, sem previdência social, saúde, transporte e outros serviços públicos, direitos trabalhistas e empresas estatais para possibilitar alguma regulação do mercado.

●ENQUANTO ISSO, NO BRASIL O GOVERNO IMPÕE OS PRINCÍPIOS NEOLIBERAIS DA CONSTITUIÇÃO DO DITADOR PINOCHET MESMO SEM APROVAÇÃO DO CONGRESSO

Lutas e plebiscito

O Chile está em festa. Sua população escolheu superar uma herança pesada da ditadura Pinochet, a Constituição vigente. O plebiscito deu vitória esmagadora à mudança (78%) e a uma assembleia constituinte composta por pessoas especialmente eleitas, com paridade entre homens e mulheres (79%), sem os atuais parlamentares.

O plebiscito para a constituinte foi o principal resultado até o momento das mobilizações que explodiram em 2019, continuaram em 2020 e chegaram a ter 10% da população protestando ao mesmo tempo, o que no Brasil daria mais de 20 milhões de pessoas.

Constituição neoliberal

A constituição imposta ao Chile por um ditador com fortes traços fascistas, que perseguiu fortemente e assassinou oposicionistas, dos liberais aos socialistas, foi a primeira inteiramente neoliberal na América Latina.

A imprensa empresarial passou a chamar o Chile de laboratório de modernidade econômica. Leia-se a privatização de tudo, o fim de todos os direitos dos trabalhadores, da previdência, da saúde, do transporte e demais serviços públicos.

A impressão de melhoria do primeiro momento logo mandou a conta, com as pessoas se aposentando com valores irrisórios, com o índice de suicídios crescente, com a falta de estatais que impediu qualquer regulação dos mercados, com crescimento exorbitante dos preços básicos, da moradia e dos transportes, com a ausência de serviços públicos e com a desregulamentação e precarização do mercado de trabalho.

Fim do caos?

As manifestações iniciadas em 2019, muitas delas violentas, tiveram como estopim o aumento das passagens dos transportes públicos. Mas era só a ponta do iceberg de um modelo, o neoliberal, que só funciona para os grandes empresários e banqueiros. Para a população gera o caos da destruição social, da desigualdade profunda, da ausência de serviços e assistência social, como sofrem na pele os chilenos.

O Brasil neoliberal

Enquanto isso o Brasil caminha para adotar o modelo do pesadelo dos vizinhos.

Os arquitetos são um presidente fã de ditadores e torturadores e um ministro da economia que serviu à ditadura chilena como parte da equipe dos “Chicago Boys”, os economistas dos EUA que montaram o projeto econômico imposto ao país que favoreceu, principalmente, bancos e multinacionais norte-americanas.

O modelo neoliberal dos sonhos do ministro Paulo Guedes passa pela aprovação das reformas que o governo está fazendo: trabalhista, previdenciária, administrativa e tributária, além da liberação geral da terceirização.

Constituição cidadã

Parte já foi feito, derrubando as conquistas sociais da Constituição de 1988, que aqui foi edificada ao final da Ditadura por conquista da mobilização popular, e só agora chega ao Chile.

Não se trata de colocar a Constituição brasileira como a ideal, mas de lembrar que ela criou o SUS, a Previdência Social por repartição, entre outros avanços que estão sendo destruídos pelo atual governo.

Os Chilenos nunca tiveram isso e agora, como muita briga e até mortes, estão conseguindo. Se o retrocesso avançar no Brasil ao ponto almejado pelo atual governo, quantas décadas serão necessárias para o país retomar a situação atual, que já não é das melhores?

Por: FINDECT

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