Roteirização precariza, dobra a carga de trabalho e leva trabalhadores do CEE Campos ao estado de greve
Notícia publicada dia 04/03/2026 14:15
Em assembleia nesta terça-feira (3), categoria denuncia redução de distritos, mudança de horário e assédio moral coletivo
Em assembleia realizada nesta terça-feira, dia 3, os trabalhadores do CEE Campos aprovaram o estado de greve após amplo debate sobre os impactos da roteirização implementada pela direção dos Correios. A atividade contou com a presença dos diretores do SINTECT-RJ, Rodrigo Bucharel e Marco Aurélio, que dialogaram com a base e ouviram os relatos de sobrecarga, pressão e insegurança na unidade.
A principal crítica é à redução dos distritos de 18 para 9. A medida cortou pela metade a divisão das áreas e, na prática, dobrou a responsabilidade de cada trabalhador. Percursos maiores, aumento do volume de objetos e intensificação da cobrança por produtividade passaram a fazer parte da rotina. O que foi apresentado como reorganização operacional tem sido sentido como precarização das condições de trabalho.
Durante a assembleia, os trabalhadores também denunciaram que a forma como a roteirização vem sendo aplicada gera um ambiente de pressão constante, metas incompatíveis com a realidade e constrangimentos reiterados, configurando assédio moral coletivo. A cobrança excessiva, mesmo diante das dificuldades estruturais, tem impactado a saúde física e mental da categoria.
Outro ponto de indignação é a mudança do horário de entrada para 10h30. A direção da empresa argumenta que a alteração ocorre devido aos frequentes atrasos na chegada das cargas. No entanto, os trabalhadores questionam a lógica de penalizar a base por falhas logísticas. Mudar a rotina, comprometer o convívio familiar e estender a jornada não resolve o problema da gestão — apenas transfere o peso da desorganização para quem está na linha de frente.
Além dos impactos internos, a precarização também afeta a qualidade do serviço prestado à população. Com áreas ampliadas e jornada mais extensa, o risco de atrasos e desgaste aumenta, comprometendo a eficiência que a própria empresa afirma buscar.
Ao final da assembleia, diante do conjunto de problemas apresentados, foi aprovado o estado de greve como forma de pressionar a direção dos Correios a rever as medidas adotadas e abrir diálogo efetivo com a categoria.
O SINTECT-RJ reafirma que modernização não pode significar retirada de direitos nem intensificação do trabalho. Respeito às condições dignas e à saúde dos trabalhadores é fundamental para garantir um serviço público de qualidade à sociedade